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O Salústio Nogueira

Romance do escritor português Teixeira de Queirós (1848-1919), com introdução de Victor Domingos e posfácio de David Mourão-Ferreira.

O Salústio Nogueira

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O Salústio Nogueira é aquele que os críticos literários consideraram o melhor romance de sempre do escritor Teixeira de Queirós. Esta nova edição é distribuída gratuitamente e conta com um posfácio de David Mourão-Ferreira, no qual o conceituado crítico literário qualifica este romance como a obra-prima de um grande escritor português.

Camilo Castelo Branco escreveu um dia que não havia em Portugal um número significativo de leitores com um nível cultural suficientemente elevado para poderem desfrutar da leitura de obras como O Salústio Nogueira. Passaram-se cerca de cem anos desde a escrita dessas suas palavras, e muito deveria ter mudado entretanto no âmbito cultural deste país. Mas a verdade é que há já muito tempo que não se vê nas livrarias o nome de Teixeira de Queirós. Os grandes romances que celebrizaram noutros tempos o nome do autor da Comédia Burguesa e da Comédia do Campo têm ficado de fora na estratégia comercial das atuais editoras portuguesas. Nas últimas décadas, apenas vieram a lume algumas edições de contos ou obras de caráter antológico, o que certamente não faz jus ao talento de um escritor de grande vulto como é Teixeira de Queirós. Talento esse que, um dia, António José Saraiva e Óscar Lopes chegaram a comparar ao génio consagrado de Eça de Queirós.

A acção d’O Salústio Nogueira começa em finais do século XIX, entre as elites de Lisboa e o ambiente predominantemente rural da região de Braga. Salústio Nogueira, homem de grandes ambições, consegue, graças ao empenho de pessoas influentes, o cargo de deputado por que tanto ansiava. Angelina, filha de um humilde comerciante e fervorosa amante de Salústio, aceita o convite que o deputado lhe faz e vai viver com ele para Lisboa. Para trás, fica o desgosto de seus pais, que esperavam vê-la casada com um humilde rapaz e, certamente, nunca esperariam que a sua filha, a menina mais católica e temente a Deus que havia em Braga, partisse pela noite sem nada dizer.

Pode parecer enredo de telenovela, mas é bem mais do que isso. Teixeira de Queirós, neste romance, traça-nos um rigoroso retrato da sociedade do seu tempo, apontando o dedo à corrupção. Além disso, e como viriam a assinalar mais tarde os estudiosos, trata-se de uma das primeiras manifestações de um verdadeiro humanismo feminista na nossa literatura. Efetivamente, apesar do título do romance, Salústio não é propriamente o herói desta narrativa…

O autor

Francisco Teixeira de Queirós (n. Arcos de Valdevez 03-05-1849, f. 22-07-1919) formou-se em Medicina pela Universidade de Coimbra em 1880. Era militante do partido republicano, tendo ocupado diversos cargos políticos: foi vereador em Lisboa, por volta de 1885; foi deputado na legislatura de 1893; fez parte das Cortes Constituintes, em 1911, como deputado pelo círculo de Aldeia Galega (actual vila do Montijo), tendo vindo a renunciar ao cargo ainda nesse mesmo ano; integrou o primeiro governo presidido por José de Castro, em 1915, como ministro dos Negócios Estrangeiros. Foi também sócio efetivo da Academia das Ciências de Lisboa.

Foi ainda durante os tempos de estudante que demonstrou o seu interesse pela literatura e a sua vocação de escritor, encetando a publicação (sob o pseudónimo Bento Moreno) de duas séries de contos e romances, intituladas Comédia do Campo e Comédia Burguesa. Essa organização, escolhida pelo autor para o conjunto mais significativo da sua obra, reflete uma evidente e assumida inspiração no modelo balzaquiano, a qual está também presente ao nível do conteúdo, de cariz predominantemente realista/naturalista.

Apesar da relativamente recente reedição do volume de contos intitulado Arvoredos, O Salústio Nogueira é talvez ainda hoje a sua obra mais conhecida, e certamente um dos melhores romances portugueses de todos os tempos. Entre os pontos fortes deste romance, destacas-se a profundidade da caracterização das personagens femininas, às quais o autor, de forma pioneira na literatura portuguesa, dedica as melhores das suas melhores páginas. António José Saraiva e Óscar Lopes, na sua História da Literatura Portuguesa, comparam o génio deste escritor ao do talento consagrado de Eça de Queirós, e vão ao ponto de sugerir que na sua obra “a sátira da vida política nacional é talvez mais verosímil e corajosa que a de Eça”.

Principais obras deste autor

Comédia do Campo:
  • Os Meus Primeiros Contos (1876)
  • Amor Divino (1877)
  • António Fogueira (1882)
  • Novos Contos (1887)
  • Amores, Amores… (1897)
  • A Nossa Gente (1899)
  • A Cantadeira (1913)
  • Ao Sol e à Chuva (1915)
Comédia Burguesa:
  • Os Noivos (1879)
  • O Salústio Nogueira (1883)
  • D. Agostinho (1894)
  • Morte de D. Agostinho (1895)
  • O Famoso Galrão (1898)
  • A Caridade em Lisboa (1901)
  • Cartas de Amor (1906)
  • A Grande Quimera (1919)
Outras obras:
  • O Grande Homem (1891) – teatro
  • Arvoredos (1895) – contos