Resposta de Concha Rousia (Galiza)

Tudo merece ser,
eu também mereço o meu existir,
e os meus sonhos nos que tu entras sem estar,
nos que eu te meto,
e mas não é eu que te mete.

eu sou quem mantém o mundo em pé,
gosto dos arados libertadores que destripam o nojo que nos funde,
o nojo que nos turba a olhada e não nos permite criar espelhos,
nem de água
só areias que se movem quando engolem,

vejo passarinhos comendo areias de sal nas pedras da parede,
isto é palpável, levantara eu a olhada do ecrã que me leva a imaginar,
mas os pássaros chilreavam,
não sei porquê, eu nunca sei,

um dia também o meu poema terá sentido,
fecho os olhos e desapareço
sei que não é a derradeira vez
mas é agora que eu vivo a minha desaparição,

outra vez véu avisar-me o passarinho
de que se esborralha a casa
de que saia e busque um sítio na eternidade,
mas nada tem memória já de mim,
o sal tem moitas caras de cristal
caras que reflectem
e um dia eu mesma serei esses cristais no teu monólogo,

Concha Rousia