Porque hoje é dia da Poesia...

“Por


nesse olhar que foge de toda a alteridade
há talvez um certo prazer em arrebanhar a nostalgia e o amor
impugnando e rabunhando a toda a força a exceção intrínseca

queres ratificar o medo
como supremo soberano da empatia possível

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A poesia escrita por quem a lê

Iniciar um diálogo é uma das melhores formas que existem de calar um monólogo, já que em vez de o suprimir, multiplica-o e aumenta o seu potencial criativo. Porque, afinal, a poesia não tem de ser um monólogo. Foi nesse sentido que, no livro de poesia É preciso calar o monólogo (que continua a poder ser adquirido gratuitamente), decidi lançar um pequeno desafio aos leitores: que escrevessem também em resposta e, se assim o entendessem, que partilhassem as suas palavras com o autor.

Ora bem, acontece que houve entretanto várias respostas de leitores e leitoras que tiveram a delicadeza de escrever de volta, durante ou após a sua leitura do livro. Confesso que fiquei sensibilizado com cada email e infinitamente grato por cada poema que recebi. E de uma forma ainda mais especial naqueles casos em que era notório que o novo poema desse leitor-autor estava diretamente relacionado com o livro acabado de ler, numa intertextualidade que multiplica a obra original e lhe vem oferecer um ecossistema onde poderá finalmente respirar, inspirar, reinspirar.

Decidi, por isso, publicar aqui - sempre que os autores a tal não se oponham - alguns dos textos que vou recebendo em resposta a este livro. Vale a pena ler, antes ou depois do meu livro, conforme a conveniência e as preferências de cada um.


E porque hoje é Dia Mundial da Poesia…


fazer da minha vida um poema lírico
brincar coas letras do meu nome vão
escrever a tua profecia derradeira
em meu olhar

e em teu olhar
recitar apenas os três primeiros versos

pois tu sabes que um dia
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Livro "É preciso calar o monólogo" disponível gratuitamente

Livro de poesia disponível para download grátis

O livro de poesia “É preciso calar o monólogo” estará a partir de agora disponível para download gratuito em diversas lojas, incluindo iBookstore, Kobo e Smashwords. Boas leituras!

Participação no 1º Poetry Slam Braga (vídeo)

Para quem não pôde estar presente no 1º Poetry Slam Braga, que se realizou este sábado no Estúdio 22, aqui fica um brevíssimo vídeo da minha participação nesse evento, com a recitação de um poema inédito. Ler mais...

Um poema para a Galiza

que a sombra recai ausente
sobre a ausência dos caídos

são tão leves as nossas penas
e no entanto a alma acanha-se
ao mínimo suspiro

pois sabemos
ainda que o não queiramos crer
que a saudade
a lembrança
o abraço agarimoso do mito ausente
a derradeira esperança dessa voz amiga

agacham-se inertes
sob o peso do tempo e da distância
que entre nós supomos

é de fentos o poema
como de fentos é essa ausência


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Excerto do livro de poesia "É preciso calar o monólogo"

geou hoje sobre o caule do teu exorcismo de vítima
e logo enunciaste o monólogo austríaco
da minha confissão latente

é pena toda esta osmose de frutos agregados
que nos vai tolhendo o olhar coa vestimenta rota do desconhecido

mas foram eles os agressores, bem o sabes
que o longe do vidro proscrito
não poderia jamais verter-se em luz
sobre a leveza do nosso jugo transformado

é preciso calar o monólogo
apagando-lhe todos os cristais deste amanhecer
e levantar sobre a sua sombra
a experiência áurea de iluminar as montanhas