Opinando sobre a opinião

“Máquina

Irritam-me sobremaneira as pessoas que acham que sabem tudo, mas sobretudo essas que opinam como se detivessem conhecimento absoluto sobre um determinado assunto, quando na verdade só sabem que gostam de mostrar que sabem. Ou talvez nem isso. Ter razão é mais importante do que resolver problemas. Mesmo que a única razão seja a da vaidade de se mostrar ignorante sem que os outros se apercebam.

É por isso que não gosto de opinar. Nunca gostei. Sempre senti esse ato como uma forma de cangar as mentes alheias, como se fossem bois. Só que eu nunca gostei de cangas. Gosto de bois, mas não de os ver cangados. Do mesmo modo, gosto de mentes que pensam e que com isso se tornam realmente úteis, mas tenho uma certa aversão a intelectos cangados, e mais ainda a quem os canga.

Opinar pode ser, pois, uma traição. O grande dilema é que muitas vezes as opiniões já por aí andam, e correm erráticas como os ventos ou as marés. E obviamente erradas, pois claro! De tal modo que, para tentar remediar o mal antes que ele medre por irremediáveis metástases, entramos naquela conversa surda, a opinar daqui e contra-opinar dali. E entre cangas e opiniões, nem sempre resulta um campo lavrado, e muito menos uma sementeira fértil. O que sobra é a irritação, que não leva a lado nenhum mas que nos deixa azedos e ainda mais propensos a desatar por aí a opinar como se soubéssemos tudo e tivéssemos razão.

Já vos disse como me irritam as pessoas que sabem tudo e têm sempre razão, não disse?...