No país dos poetas

À memória de
Sophia de Mello Breyner Andresen,
que completaria hoje 95 anos

“Praia

Nos dias que correm, ler é considerado uma traição, um ato tão inútil quanto desrespeitador da ordem pública e dos bons costumes. Ler é um ultraje que ofende os mais elevados e nobres preceitos morais, que estipulam que há uma hora certa para começar a trabalhar, que há uma hora certa para acordar, que há uma hora certa para atender às imperiosas necessidades fisiológicas da nossa fraqueza humana, que há uma hora certa para comer, para beber, para urinar e defecar, e todas essas coisas que têm por força de ser feitas, que há uma hora certa para falar - e muitas mais horas certas para ficar calado -, uma hora certa para lavar os pratos ou varrer o chão, uma hora certa para sacudir tapetes e fazer a cama e lavar a roupa, uma hora certa para trazer à luz os filhos que hão de ser da pátria e do mundo mais do que nossos, uma hora certa para ouvir, uma hora certa para assistir a programas medíocres de televisão ou ao tédio bem disfarçado de um qualquer jogo de futebol, uma hora certa para acatar e aceitar e suportar e assimilar, uma hora certa para pagar, uma hora certa para dormir até à hora certa de acordar outra vez para repetir todas as laborações ditadas pela rotina diária das pessoas de bons costumes e de decência comprovada.

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Apresentação do livro "Sob o Amor", do poeta Antônio Mariano

“Sob

Veio parar-me às mãos, estes dias, um exemplar do livro "Sob o Amor" de Antônio Mariano, poeta brasileiro com quem me cruzei virtualmente, há uns anos, num daqueles felizes acasos da vida. Ao autor, agradeço o presente que, como veremos, muito me agradou. Aos leitores, sobretudo àqueles que não gostam de perder um bom livro de poesia, tentarei aguçar o apetite com alguns apontamentos breves da minha leitura.
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Um poema para a Galiza

que a sombra recai ausente
sobre a ausência dos caídos

são tão leves as nossas penas
e no entanto a alma acanha-se
ao mínimo suspiro

pois sabemos
ainda que o não queiramos crer
que a saudade
a lembrança
o abraço agarimoso do mito ausente
a derradeira esperança dessa voz amiga

agacham-se inertes
sob o peso do tempo e da distância
que entre nós supomos

é de fentos o poema
como de fentos é essa ausência


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Poema inédito publicado no site Ser Poeta

Acaba de ser publicado um poema inédito de minha autoria na rubrica “Divulgar a Poesia” do site Ser Poeta. Quem gostar de poesia poderá encontrá-lo nesta página.

“Poema

Semana do Livro Digital - descontos e ofertas em ebooks

Conforme aqui mencionei recentemente, decidi participar novamente no evento internacional Semana do Livro Digital / Read an E-Book Week, uma iniciativa de promoção dos livros em formato digital, lançada em 2004 pela escritora canadiana Rita Y. Toews. Entre as diversas iniciativas que se realizam no âmbito desta espécie de Feira do Livro Digital, destacam-se como habitualmente os descontos e as ofertas de livros grátis, por parte de numerosos autores, editoras e livrarias digitais.
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Semana do Livro Digital, de 2 a 8 de março - se gosta de ler, não vai querer perder isto!

“Read

De 2 a 8 de março, decorre a edição deste ano do evento Read an E-Book Week, uma iniciativa de promoção dos livros em formato digital, lançada em 2004 pela escritora canadiana Rita Y. Toews. Esta semana internacional dedicada à leitura de ebooks tem vindo a reunir à sua volta autores, editoras, livrarias digitais, fabricantes de ereaders e inúmeros leitores, naquilo que se pode considerar um verdadeiro festival de celebração da leitura na Era Digital. Ler mais...

Entre o Sono e o Sonho - Antologia de Poesia Contemporânea

“Antologia

Por distração minha, nem reparei que um poema meu foi selecionado para esta antologia e que a edição já andava a circular por aí há uns meses.

É uma edição belíssima! O papel cheira a livro como nos velhos tempos e o título é repescado de um poema de um dos meus autores preferidos e, porventura, o maior poeta de Portugal (sim, certamente já perceberam que não estou a falar de Camões). E por dentro, claro, muita muita poesia para ler e desfrutar calmamente nestes dias de chuva ou nos longos serões estivais que aí virão...
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A poesia escrita por quem a lê

Iniciar um diálogo é uma das melhores formas que existem de calar um monólogo, já que em vez de o suprimir, multiplica-o e aumenta o seu potencial criativo. Porque, afinal, a poesia não tem de ser um monólogo. Foi nesse sentido que, no livro de poesia É preciso calar o monólogo (que continua a poder ser adquirido gratuitamente), decidi lançar um pequeno desafio aos leitores: que escrevessem também em resposta e, se assim o entendessem, que partilhassem as suas palavras com o autor.

Ora bem, acontece que houve entretanto várias respostas de leitores e leitoras que tiveram a delicadeza de escrever de volta, durante ou após a sua leitura do livro. Confesso que fiquei sensibilizado com cada email e infinitamente grato por cada poema que recebi. E de uma forma ainda mais especial naqueles casos em que era notório que o novo poema desse leitor-autor estava diretamente relacionado com o livro acabado de ler, numa intertextualidade que multiplica a obra original e lhe vem oferecer um ecossistema onde poderá finalmente respirar, inspirar, reinspirar.

Decidi, por isso, publicar aqui - sempre que os autores a tal não se oponham - alguns dos textos que vou recebendo em resposta a este livro. Vale a pena ler, antes ou depois do meu livro, conforme a conveniência e as preferências de cada um.


E porque hoje é Dia Mundial da Poesia…


fazer da minha vida um poema lírico
brincar coas letras do meu nome vão
escrever a tua profecia derradeira
em meu olhar

e em teu olhar
recitar apenas os três primeiros versos

pois tu sabes que um dia
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